Inocente que sou, pensei que tudo estava bem. Um belo dia recebo o aviso de uma reunião com os pais da turma do meu filho na escola, a escola enfatizando a importância de todos comparecerem. O motivo, a turma descriminando o menino com quem meu filho teve problemas. Vou chama-lo novamente de Pedro para facilitar.
Eu já tinha comentado com a direção que um dia observei a turminha taxando Pedro como mau. As crianças brincavam um dia na casinha de três porquinhos e quando Pedro falou que gostaria de brincar imediatamente falaram "você é o Lobo Mau". Ele inistia falando que não, mas os colegas insistiam que ele seria o Lobo. A escola prometeu observar e todos acreditavam que como ele evoluia, aos poucos os colegas esqueceriam, afinal crianças brigam e no momento seguinte se abraçam.
O mais triste e o que eu nunca esperava é que nada mudou, não por culpa das crianças, mas dos pais. Durante a reunião fiquei sabendo que alguns pais pediam a professora, na frente dos filhos, que não sentasse a criança perto do Pedro. A professora também presenciou adultos falando com alunos ao busca-los na escola " Pedro bateu em você hoje?" Nada de perguntar como foi o dia, a aula, a preocupação era somente em relação ao Pedro.
A criança percebe que tudo é o Pedro, que esperam que o Pedro bata, qual resposta vocês acham que ela dará? Para completar Pedro passou por uma cirurgia e ficou duas semanas ausente da escola. Durante este período 3 reclamações com a direção de que ele bateu ou mordeu colegas da turma. Como?! Virtualmente?!
imagem do site istockphoto.com
Durante a reunião recebemos todos um belo puxão de orelha da psicóloga da escola e da professora. No bate papo descobrimos que alguns pais ainda ensinavam o velho " bateu levou". Muita conversa e a psicóloga pediu o comprometimento de todos para não taxar nenhum aluno, muito menos ensinar a bater. Deveríamos agir como grupo para o bem coletivo.
A professora tranquilizou muitos pais sobre como seus filhos agiam em momentos de conflito, mostrando que crianças consideradas fracas e indefesas pelos pais sabiam muito bem se defender.
Aparentemente tudo parece estar melhor e espero que realmente todos estejam cumprindo o famoso combinado.
Fica o alerta! Crianças apenas precisam de carinho e atenção e, até os que passam pela fase de morder e bater, evoluem e mudam. Não estigmatize seu filho ou crianças ao redor.
Para quem não leu o texto anterior contando o que ocorreu, dando dicas para identificar bullying e questionando se ocorre ou não na educação infantil aqui está - Bullying na Educação Infantil
11 comentários:
Caramba, Aninha, nunca pensei no outro lado da moeda! Ainda mais nesse caso que o menino estava demonstrando sinais de que não estava mais fazendo as coisas de antes!
Excelente pra reflexão!
bjbjbj
Muito legal teu post! Acredito que as coisas sejam realmente dessa forma; temos que nos policiar pra não rotular atos e pessoas. Eu ainda não passo pela fase da "escola", mas minha hora também vai chegar. Vou tentar me lembrar dessas coisas ;)
Beijos!
#amigacomenta
Ai, é bem chato, não é? As pessoas parecem escolher a cor do óculos e passam a ver sempre escuridão.
A criança não precisa nunca ser tachada - nem de mau, nem de perfeito. Porque somos inteiros, cheios de defeitos, cheios de qualidades, nunca nem uma coisa, nem outra...
Ajudaríamos o mundo se não colocássemos placas nas crianças "este não come", "este é arteiro", "esta é chorona", "esta é uma princesa". Placas, boas ou más, são um peso!
Beijos
Sofia
#amigacomenta
Ah que dó menina!!!
Todos precisam mesmo evoluir, especialmente os pais, né? Como exigir atitudes de uma criança se o exemplo que ela tem em casa é ruim??
Espero toda a situação seja resolvida o quanto antes.
Beijos
Ninon
http://ninonforbeck.blogspot.com
#amigacomenta
Oi Ana Maria, muito bom ler algo assim, recebi de minha assistente a sua página para ler, pois recentemente durante um campeonato de futebol na escola,que é católica como eu, meu filho levou 3 socos na cara, de um outro aluno deposi do jogo, detalhe é que ambos tem 7 anos de idade... e haviam discutido em outra partida anterior. Absurdo a parte, foi o pai do amiguinho quem mandou o filho ir bater no meu e nem teve vergonha de assumir em frente aos professores: "mandei bater mesmo pois não quero que meu filho fique choramingando pelos cantos...", dei graças a Deus meu marido não estar neste jogo, pois senão nem imagino o que poderia virar aquela discussão ridícula que passei (sozinha)... O colégio está me dando muito apoio e só tenho que elogiar a posição deles com relação a isso. E muito parecido com o que descreveu: valorizar o diálogo é tudo! Obridaga pelas palavras esclarecedoras em ambos posts! Não vou mais rotular este coitadinho deste menino que tem um pai doente! valeria.marco@solucoesmarketing.com.br
Ana,
Adorei ler e o seu post, vou até mandar pro meu marido. Meu filho tem 1 ano e 3 meses e ontem recebi um recado da escola de que ele mordeu a amiguinha. Fiquei triste e preocupada com a menina, mas graças a Deus não foi nada muito grave. Conversando com a pedagoga da escola esta manhã recebi uma orientação que achei sensacional, ela disse: "Seu filho precisa aprender a dar valor a presença dos amiguinhos na vida dele. Nosso trabalho agora é mostrar pra ele que morder dói e que ele precisa cuidar do outro. Não bata e nem o chame de cachorro, apenas mostre que isso machuca e faça com que ele acarinhe e beije quando morder alguém. Ensine que a boca é pra beijar."
Realmente precisamos valorizar o AMOR e a TOLERÂNCIA na criação dos nossos filhos e formar seres humanos amigáveis e pacíficos.
Apesar de não me sentir confortável com o acontecido achei interessante ser a mãe do que mordeu, isso vai nos preparar melhor caso um dia ele seja mordido, afinal essas coisas acontecem e precisamos aprender a lidar com elas. Beijocas, Lis
Marina,
sempre difícil nos colocar no lugar dos outros, não? Exercício essencial mas difícil para todos nós.
Ana Karina,
feliz que tenha gostado.
Sofia,
perfeita a colocação. Tachar é muito prejudicial p/ qualquer criança
Ninon,
acredito que esteja tudo bem. Tudo indica que sim
Valéria
espero que a escola lhe dê todo apoio e cobre mudanças da outra família.
Anônima,
com 1 ano e 3 mses ainda é comum morder.
Aqui no blog mesmo tem um texto sobre isto Mordidas. Por que elas acontecem?
http://universomaterno.blogspot.com/2009/07/mordida-por-que-elas-acontecem.html
Adorei seu post. Ainda me acho um peixe fora d´água por não incentivar o Vítor a fazer o "bateu levou". Ainda continuo repetindo pra ele que, qdo o amigo bateu, ele estava errado. Na hora que ele revidou, os dois estão igualmente errados...
Tati
Mulher e Mãe
#amigacomenta
Puxa, que situação!
Nós pais devemos prestar muita atenção, pois os filhos refletem nossas ações e ensinamentos, não é mesmo?!
Espero que tudo fique bem entre todas as crianças!
#amigacomenta
Coitado do "Pedro"... sempre falo q nós pais reforçamos muitas atitudes dos nossos filhos,muitas vezes sem querer,sem maldade...
Tomara que tudo tenha ficado bem com todas as crianças...
Bjs,querida!!!
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