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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bullying na Educação Infantil?

NOSSA EXPERIÊNCIA

Li muito sobre o assunto, pesquisei, o motivo não podia ser mais óbvio, em determinado momento cheguei a cogitar se meu filho estava passando por esta situação.

Sempre eduquei meu filho ensinando a compartilhar brinquedos, esperar sua vez, a controlar suas emoções, a saber dialogar. Assim parece que estou falando de um rapaz, mas ele tem apenas 3 anos. Como a maioria das crianças sofreu com algumas mordidas ao entrar na escola, mas o problema persistiu um pouco mais com uma determinada criança.

Ele entrou na sua segunda escola aos 2 e tomou a primeira mordida, entendi, sofri, mas entendi. Depois vieram tapas e empurrões, todos sempre vindos do mesmo "amiguinho" (para facilitar vou chamar de Pedro, já que não tem amigo na sua turma com este nome).

O primeiro passo foi conversar com a direção da escola. Lá me informaram saber do problema e estar orientando e cobrando as mudanças na família.

Um dia vi de perto o porquê daquela criança ser tão agressiva, carência! Fui aprender a fazer a massagem que a professora fazia antes dele ir para casa (ela era fisioterapeuta), pois em casa meu filho queria exatamente a mesma massagem. Confesso que neste dia tive vontade de chorar. Pedro, que sempre o agredia, clamava o tempo todo por atenção. Muito triste ver uma criança tão carente.

Nas festas da escola ele tentava agredir meu filho justamente quando eu e meu marido fazíamos festa para ele. Solução? Passamos a dar atenção para criança agressora, nas festas, horários de entrada e saída. Na verdade nosso convívio diário era de apenas alguns minutinhos, o suficiente para ele nos receber sempre com um grande sorriso.

Na época não sei bem se foram as mudanças cobradas pela escola, o acompanhamneto psicológico que a família recebeu ou nossa atenção, só sei que melhorou. Amigos questionaram se era justo aquela criança receber nossa atenção. Na minha opinião sim. Nosso filho reagia muito bem, além disto tinha nossa atenção toda só para ele em casa.

O tempo passou e os conflitos voltaram a acontecer quando Pedro já tinha completado 3 anos. Desta vez fiquei mais preocupada, não só por ser recorrente, mas pela criança já estar falando e se comunicando muito bem. Nesta idade ele já deveria estar usando a fala para expressar suas emoções. Fui novamnete conversar e cobrar da escola. Fui comunicada que desta vez foi algo pontual, não constante. No meu filho foi um empurrão, mas ele ficou impressionadíssimo quando Pedro mordeu sua melhor amiguinha.

Meu filho passou uma semana sem querer ir à escola. Não adiantava falar que a professora estava de olho, que poderia chama-la etc. Ele não queria ir.

Li muito e encontrei no site BabyCenter.com alguns relatos, dois com resultados positivos. O primeiro a mãe fez um teatro onde ela era a criança agressora e ensinava como o filho poderia se defender. O segundo a mãe convidou o buller para brincar com o filho em sua casa. Ela conversou com o filho garantindo que estaria o tempo todo de olho e ele ficaria seguro. Conversei com meu marido e optamos por tentar a primeira solução, caso não desse resultado tentaríamos a segunda.

Engraçado como algumas coisas nos marcam. Tenho claro em minha mente a conversa e o teatrinho com meu filho. No início ele riu, depois eu expliquei que era sério, que ele era forte e não deveria ter medo de Pedro. Expliquei que caso o colega viesse bater ou empurrar ele deveria falar firme e forte "Não! Não quero! Me respeite!" e caso ele insistisse em tentar bater ou empurrar ele deveria segurar firme os braços do colega e repetir firme "Não! Não quero!" Depois fiz o teatrinho com ele, eu fingindo ser o agressor. Cheguei a inverter no início para ele entender... Repetimos algumas vezes e no final sempre o elogiava mostrando como ele era forte. Ele sorria orgulhoso.

O resultado não poderia ser melhor. Ele se sentiu forte e seguro. A escola novamente acompanhou o colega, a mãe e até mesmo a turma foi observada com mais atenção pela psicóloga da escola. Hoje não vou falar que eles se tornaram amigos, mas meu filho brinca tranquilo com o colega.

Quer saber o que aconteceu depois? Clica aqui para ler o post sobre evolução do caso.

MINHAS DICAS

1. Motivar sempre o diálogo. Uma boa comunicação com os filhos irá tornar mais fácil que eles procurem nossa ajuda.
Post daqui Dando uma Forcinha para o Diálogo
Post da Inventando com Mamãe sobre como dialogar com criança mais fechada

2. Dialogar com a escola e cobrar uma ação e acompanhamento do caso

3. Ensinar a criança a pedir auxílio e confiar na professora. Como a psicóloga da escola disse, não adianta ensinar a revidar ou “se defender” sempre, pois se a criança for agredir alguém maior, irá ser agredida de forma ainda pior.

4. Motivar a auto estima. Tornar seu filho seguro e forte. No meu caso, mostrar que meu filho era capaz de se defender o fez superar o medo do colega agressivo. Não ensinei a bater... apenas a se impor e evitar o ataque do outro.

Importante: Em tudo que li a criança amada, que recebe atenção dos pais, elogios se torna mais segura e com maior auto estima. Crianças e adolescentes seguros de si sofrem menos bulliyng e tem mais chances de superar situações como estas.


É BULLYING OU NÃO É?


- Crianças podem se expressar através de mordidas etc enquanto não dominarem a linguagem.

- Crianças até os 3 anos não conseguem entender o quanto uma mordida ou a implicância machucam os sentimentos dos amigos, não possuem empatia pelo outro.

- Bullying é caracterizado principalmente pela constância. Ocorre quando um grupo ou indivíduo persegue, maltrata verbalmente, fisicamente ou por exclusão um determinado indivíduo ou grupo.


SEU FILHO SOFRE BULLYING? Dicas para identificar (traduzidas do artigo da Education.com)

- criança de repente passa a ter medo da escola
- criança reclama de dores de cabeça ou de barriga sem razão alguma
- criança muito manhosa e reclamando de tudo
- retorna da escola com machucados sem explicação
- criança mais fechada do que costume ou deprimida
- criança fala sobre um colega em particular agir de forma má com ela
- criança tem problemas em concentrar
- criança evita contato nos olhos quando perguntada sobre a escola

E ACONTECE MESMO NA EDUCAÇÃO INFANTIL?
Aqui no Brasil, com todos os psicólogos que consegui conversar ou ler, não admitem a palavra Bullying na educação infantil, mas sabemos que a criança, a partir do momento que se comunica bem através da fala, deve saber expressar suas emoções sem agressão.

Já nos Estados Unidos já falam que o Teasing (implicância) ocorre na educação infantil e deve ser tratado para não chegar ao ponto de bullying mais adiante.

No Reino Unido e na Australia não só reconhecem, mas já existem projetos na escola desde a educação infantil para evitar o bullying.


LINKS INTERESSANTES

- Artigo da Parenting - Como lidar com bullers na Pré Escola
Gostei muito a observação que nesta fase a tendência dos pais e da escola é deixar passar, só observar e que isto não basta.

- Artigo bem completo com links do iParenting

- Mais dicas de como agir

- Guia do governo Britânico contra Bullying (idade de 3 a 4 anos- existem de outras idades)
É direcionado para escolas e professores, mas pode ser muito bem aproveitado por nós mães.

Para os mais velhos, texto que inclui cyberbulling

Matérias e relatos em português


Entenda como o Bullying pode mudar a vida do seu filho

Como vencemos o bullying na escola - relato da @samegui

Quer saber o que aconteceu depois? Clica aqui para ler o post sobre evolução do caso.

14 comentários:

Marina disse...

Querida amiga, arraou como sempre! Texto esclarecedor!
Ele tem sorte de ter uma mãe tão empenhada na educação, felicidade e bem-etar dele!
bjs

Mulher e Mãe disse...

Excelente post, muito esclarecedor, parabéns!

Aliás, até recomendo que vc coloque esse link lá na no grupo Amiga Comenta, na Rede Muylher & Mãe, pras meninas também lerem e pra gente divulgar no nosso twitter!

Beijos, Tati

Elaine Cunha disse...

Olá, Anamaria!

Obrigada por compartilhar aqui a sua experiência!
Suas dicas são valiosas!
beijos, Elaine Cunha

Dani (Dudu & Arthur) ♥ disse...

Aninha, texto engrandecedor e esclarecedor. Adorei e me identifiquei com várias partes, tanto de um lado quanto de outro. Vc foi perfeita com a atitude que teve com a criança "agressora". Que lucidez, que visão!!! Me fez refletir e me iluminou:)
Essa criança tem que ser muito bem acompanhada, pq não está conseguindo lidar bem com suas emoções. Futuramente ela própria pode vir a ser a vítima de bulling, já que aos poucos seus colegas podem vir a hostilizá-la pelos seus atos.
Vou usar suas técnicas com meus filhos, caso sinta necessidade. Algumas coisas já havia conversado, mas outras só agora me dei conta.
bjs e obrigada!
Danielle

Cristina Companhoni disse...

Excelente!!!

Anamaria - mãe feliz e babona disse...

Marina, Elaine, Dani e Cristina,
agradeço os elogios :-) Fico pasma com este mundo em que vivemos... tantas crianças criadas sem atenção e carinho que parece tudo estar virando do avesso.
O que me dá esperança é justamente a internet me propiciar a troca de experiência com tantas pessoas maravilhosas.

Tati,
confesso que ainda engatinho na rede. Queria muito participar mais, mas o tempo não permite. Coloquei na minha atualização. Não sei se era lá que esperava

Bjos p/ todas!

Susan disse...

Maravilhoso post, parabéns!

melissa disse...

Ana,que texto claro e prático! A participação da família na construção da auto estima da criança é essencial!Crianças amadas,valorizadas e orientadas conseguem passar por situações assim com mais tranquilidade,sem marcas tão profundas...Claro que a criança sente,fica triste,mas qndo a família e escola se mostram atentas,o caminho é mais suave e sem grandes consequências!
Bjs

Dani Guima disse...

Ótimas dicas, Ana. Ainda não passamos do ponto das provocações, com a Rafinha, mas já sei o que fazer se precisar... :D Bjs e grata.

Renata Rainho disse...

Parabéns pela competência!

Loreta disse...

Oiii,

Muito bom!! É importante estar sempre de olho pra q este tipo de coisa seja cortado da raiz e não vire um problema maior, né??

bjo!

Loreta#amigacomenta;)
@bagagemdemae
www.bagagemdemae.com.br

Stela Castro disse...

Excelente post e parabéns pela abordagem do assunto com seu filho. Esse tema precisa mesmo ser mais divulgado.

#Amigacomenta
http://vivendocommaisfilhosdoquemaos.blogspot.com/

Beijos

LookBebê disse...

Muitoooo bom o post!!! Parabéns!!!

Minha filha ainda tem 1 ano, mas nunca é cedo demais para aprender com as experiências dos outros.
Muito obrigadaa!!! ;))))

Viviane Pereira disse...

Excelente post! Já está aqui nos meus favoritos.