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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Relato e dicas - Prazer na Alimentação Saudável


Faz tempo que algumas amigas me pedem para escrever como foi o processo de mudança dos meus hábitos alimentares. Alguns irão achar que foi radical, mas pensando em como sempre me alimentei, em como cada mudança chegou, vejo que foi uma construção ao longo da vida.

Dizem que quem não aprende no amor, aprende na dor. Eu aprendi a me alimentar bem pelos dois caminhos. Primeiro porque cresci numa casa onde tinha mãe, pai, avó e irmã que sempre cozinharam explendidamente bem. Chegava a faltar espaço no fogão. A cozinha era o principal ponto de encontro da casa, com direito a uma mesa de 6 lugares dentro dela. Por ela que amigos entravam na casa, e na maioria das vezes por lá ficávamos papeando enquanto minha mãe cozinhava. Aprendi pelo amor a gostar de comida de verdade, a experimentar de tudo e pelo exemplo a gostar de verduras (meu pai comia uma bacia de verduras no almoço).

Infelizmente também aprendi com a dor. A primeira vez, quando meu pai operou o coração, toda a família abraçou a mudança com o fim de frituras e redução do sal.

Já adulta eu acreditava me alimentar bem, até que minhas crises de enxaqueca foram piorando cada vez mais. Passei por inúmeros médicos e neurologistas. Um deles quase me matou ignorando a reação que relatava com os inúmeros remédios prescritos. Após uma crise de enxaqueca que durou 5 dias (5 dias sem me alimentar, no escuro, sem conseguir nem falar, parando no hospital e ficando uma semana me sentindo grogue com os medicamentos aplicados), decidi que precisava mudar minha vida.  Foi quando conheci o Dr Alexandre Feldman. Devorei seus livros, tirei dúvidas com pacientes dele e outros leitores, e decidi abraçar a mudança.

Desta vez envolvia mais que uma dieta, envolvia mudanças no sono, horários, forma de dormir, aprender a lidar com estresse, escutar meu corpo e respeitar seu ritmo. Felizmente os exercícios físicos já fazia e sempre (quase sempre) gostei. Seu livro sugeria seguir os novos hábitos alimentares de forma “radical” por 3 meses. Assim o fiz.

Fácil não foi. Principalmente, pois desta vez a mudança não era da família, era só minha. Nunca vou esquecer a primeira refeição. Enquanto todos comiam strogonof com batata frita, eu comia frango com salada e arroz integral. Este último por falta de experiência ficou duro, muito duro, e salgado. A vida é dura caros amigos ;-)

Na minha opinião dois pontos são fundamentais em dietas. A primeira é cortar a palavra dieta de sua vida. Esta palavra perdeu seu verdadeiro significado faz tempo.

"Uma dieta é o conjunto das substâncias alimentares que constitui o comportamento nutricional dos seres vivos. O conceito provém do grego díaita, que significa “modo de vida”. A dieta é portanto um hábito e representa uma forma de viver."

Meu conselho é: não faça uma dieta, mude seus hábitos alimentares! Pode parecer loucura, mas você pode reeducar seu paladar, deixar de gostar tanto de doces, apreciar legumes, verduras e frutas.

Após os 3 meses entendi o porque do conselho de cortar completamente açúcar e farinha. Tudo bem que nunca fui muito fã de açúcar, mas lembro até hoje de no final dos três meses sem um grãozinho de açúcar, não conseguir chegar no final de uma tangerina bem madura. Ela simplesmente estava muito doce para mim. Louca?! Muitos acham que sim, mas é a mais pura verdade. O paladar muda.

O segundo ponto é que esta guerra pela mudança de hábitos é interna e individual. Você pode ter todo apoio da família, até ter ao redor as pessoas passando pela mesma fase e, apesar deste apoio ajudar, só você poderá ganhar este desafio. Para mim o mais difícil foi a retirada do pão, da farinha. O pãozinho do café da manhã que não apenas acompanhava o hábito, mas trazia fortes lembranças do meu pai que preparava com azeite e queijo derretido. Isto e café com leite estavam para mim no topo do confort food. Digo que passei até por crise de abstinência sentindo ansiedade e desejo. Eu, euzinha, era a única que poderia resistir.



PLANEJAMOS NOSSAS VIDAS. PORQUE NÃO A ALIMENTAÇÃO?

É importante planejar e ter até um plano B para imprevistos. Você sempre terá eventos, festas e ocasiões com tentações ao redor (prometo que muitas deixarão de ser tentações com o passar do tempo). Nunca deixei de participar de evento algum. Me alimentava muito bem antes de ir para festas e encontros com amigos e levava sempre na bolsa aquele “doce de banana”, tipo mariola. Alimenta bem, fácil de levar. Água era sempre minha melhor amiga. Quando ia em eventos longos na casa de amigos próximos, levava uma “marmita” com quantidade extra, porque descobri rapidamente que a minha nova alimentação não era saborosa apenas para mim.

Se precisar comer fora uma boa saída são carnes grelhadas) e a boa salada, pois o preparo da comida também importa e muito. A dica para idas em restaurantes é usar o medo que eles possuem dos clientes terem uma crise alérgica grave. Sempre digo que tenho alergia severa a glutamato monossódico. Sim, muitos adicionam isto nas carnes ao invés de recorrerem a ervas, a temperos de verdade. Já deixei de comer em alguns locais, em outros preparavam a carne apenas com sal para mim. Na época enviei e-mail para os locais que mais gostava questionando sobre preparo e ingredientes. O Joe & Leos, por exemplo, enviou uma resposta diretamente de sua nutricionista.

Trocar receitas com quem já mudou os hábitos (as da Pat Feldman me salvaram e deram muitas boas ideias), aprender a gostar da cozinha, ajuda. Vopcê irá aprender cada vez mais sobre alimentos, e terá vontade de fazer verdadeiras experiências, trocando produtos nem sempre bons, por soluções saudáveis.

Pode parecer sacrificante no início, mas depois vira hábito, sua rotina, simples assim. Reafirmo VALE A PENA! Não fico doente, não gripo, tenho muito mais energia que antes.

O que posso fazer para ajudar? Quem quiser tem meu apoio e prometo responder todos os comentários e dúvidas. Boa mudança! ;-)

Amanhã vou postar a receita que pediram onde a abobrinha substitui a massa.

6 comentários:

Anônimo disse...

E a enxaqueca? Se livrou dela totalmente?

Anamaria - mãe feliz e babona disse...

Sim! Já tive enxaqueca novamente em alguns momentos pontuais. Meu filho teve problemas respiratórios e passei quase 4 anos sem dormir 1 noite inteira. Somado a momentos de tensão tive algumas crises, mas nunca mais da forte como tinha anteriormente.

Um pouco de gengibre e cama com gelo na cabeça foram suficientes para cortar a crise :-)) Qualidade de vida!

melissa disse...

Tudo é questão de hábito,não é? No começo pode parecer difícil,mas depois o corpo acostuma!

Vivi Freitas disse...

Seu relato é bem parecido com o meu,Antes de conhecer o Dr Alexandre e sua esposa Pat Feldman,tomava imensa quantidade de medicamentos para enxaqueca e depressão,quando comecei a mudar a alimentação foi porque estava piorando cada vez mais e foi minha ultima alternativa...Só que não consegui ficar livre de massas e açúcar,somente diminui a quantidade...Acho que o q realmente me ajudou foi tirar totalmente os temperos completos,leite de caixinha,margarina,óleo e adoçantes artificiais que eu usava á 15 anos,tbm passei a comer mais frutas,tomar iogurte natural,inclui manteiga na minha alimentação,queijo,ovos caipiras,azeite e até banha de porco,dá para acreditar?Voltei a me alimentar como a minha avó...Muita mudanças,mas valeu a pena.Nunca mais tomei remédio para dor de cabeça e fui curada da depressão que tinha desde a infância...Tenho realmente uma nova vida.

Anamaria - mãe feliz e babona disse...

Vivi, que maravilha!

Eu acho que quanto mais nos afastamos dos industrializados, dos temperos prontos e conservantes melhor para nossa saúde.

Li uma vez um caso de uma pessoa que emagreceu bastante cortando apenas industrializados.

Eu tenho irmã boleira profissional...de vez em quando como seus cupcakes :-) Acho que o segredo é ter um cotidiano sadio para poder fazer pequenas exceções

NiNe disse...

Que legal Ana,
Eu graças a Deus nao tenho enxaqueca mas queria muito mudar meus habitos alimentares...
cresci comendo coisas mais naturais lá no meu interiorzao de minas mas agora depois de grande aki no rio passei a não ser tão saudavel como deveria. rsrs

brigadao pelas dicas. adorei a receita de abobrinha. nhame.

bjs