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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Amor eterno, saudade eterna

Escrevi este texto no dia 27/10/2008 com o coração apertado pela proximidade do aniversário do meu falecido pai, mas o sentimento continua bem parecido. A saudade, assim como o amor, são eternos.

No entanto hoje tenho um consolo, independente de qualquer crença vejo que você pai, está vivo, está vivo em mim, nos meus irmãos e, até nos seus netos que não o conheceram. Vivo pelos ensinamentos que passou, pela alegria e pelo amor. Te amo pai!



Amor eterno, saudade eterna

Amanhã seria niver do meu pai... mais uma vez desabafo aqui e compartilho com os amigos queridos a saudade que aperta o peito

SAUDADES!

Que saudade é esta eterna?! Saudade que vai e vem...mais vem do que vai!

Como posso pensar nele todos os dias? Minha vida parece um trem bala mesmo assim penso nele todos os dias.

PAI! SAUDADES!

Tem dias que a saudade vem como uma boa lembrança, me faz sorrir, chego a rir. Outros sinto a tal saudade física. Saudade do abraço, da massagem, da conversa, até das "broncas"! O peito fica apertadooooo! Vontade de estravazar, de falar dele, de sair digitando.

Saudade que não passa, nada substitui. Nada acalma... Saudade vinda com a proximidade da data que seria seu aniversário. Neste momento, assim como agora, eu estaria escrevendo algo para ele. Talvez virasse noite pintando um quadro, fazendo uma colagem no computador, um desenho. Saudade de presentea-lo. Saudade de agradecer por ter me ensinado tanto, por ter dado tanto amor.

Saudade do pai-amigo, do pai-herói, do pai-sábio, do pai-alegre, do pai-mandão!

Saudade do lanche no final da tarde, do pão com azeite e sal, das risadas, das mesmas piadas contadas milhares de vezes. Saudades do sorriso largo, do abraço que quase me desmontava, do conselho, do pai que parecia saber tudo, das bagunças na piscina, na praia, na rua. Das loucuras!

Saudades de vê-lo deixando a mamãe vermelha com suas declarações, da família toda rindo e fazendo bagunça...as bagunças ainda acontecem mas falta você, pai.

Saudades do que não teve tempo de acontecer, de vê-lo sendo vovô, de ter entrado na igreja com você, de mostrar a você que aprendi, que supero as dificuldades e tenho tido minhas conquistas.

Saudade que traz sorrisos, que traz boas lembranças, saudade que enche os olhos de lágrimas.

Amor eterno, saudade eterna.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tum-Tum

Irmã coruja que sou, precisava compartilhar com vocês este texto lindo escrito pelo meu irmão. Me emocionei!

Tum-Tum
 
Algumas coisas simplesmente fogem ao nosso planejamento. Ontem um pneu furado me fez planejar uma procura ao borracheiro o mais cedo possível para não chegar atrasado ao trabalho. As opções eram uma oficina próxima e um posto de gasolina que oferecem o serviço. Cheguei à oficina no horário de abertura e já não era o primeiro a ser atendido. Resolvi buscar o posto e o borracheiro estava atrasado. Retornei para oficina e passei a ser o terceiro da fila ao invés do segundo. Claro que a previsão de chegada ao trabalho não foi a mesma da véspera. Tum-Tum.
 
Programei ser rico aos trinta e cinco, mas estando a seis meses do deadline, ou como preferem os juristas, do prazo ad quem, rico mesmo só se aquele bilhetinho da Mega-Sena estiver premiado. Ao menos eu jogo, pois o que mais vejo são pessoas sonhando o que fariam com o prêmio, mas nunca jogam. Tenho certeza que isso dificulta um pouco o processo. Tum-Tum.
 
Acredito que temos que ter nossos sonhos e traçar objetivos para alcançá-los dia após dia. Acho que a reflexão dever ser no mínimo semanal para avaliarmos se naquela semana fomos nossos próprios melhores amigos, conselheiros, companheiros e trabalhadores na busca da realização. Será que fiz o melhor que podia? Tum-Tum.
 
Já escrevi uma vez sobre o acaso. Lembro-me que parafraseei Jon Lennon que dizia que “a vida é tudo aquilo que acontece enquanto você está ocupado planejando o futuro”. Temos que ter jogo de cintura para nos adequarmos a toda a mudança de plano que foge ao nosso controle. Tum-tum.
 
Porém, nem sempre esse acaso é um obstáculo. Ás vezes esse acaso é a oportunidade que vem passando lentamente em um seguro cavalo selado pronto para montar. Outras vezes é a queda que faz levantar, andar, correr. Outras, para um restritíssimo grupo de sortudos, é um bilhete lotérico premiado. Quase um milagre. Tum-tum.
 
Quando me referi à busca da realização leiam busca da felicidade. As manchetes de jornal comprovam que pouco importa um bilhete premiado se escolhemos para esposa uma ambiciosa futura viúva. Sempre ouço – e acredito – que Deus sabe o que faz. Creio que traçamos nosso destino de acordo com as atitudes que tomamos diante de todos esses acasos. Tum-tum.
 
Nesta altura alguém já deve ter feito a pergunta: Que “tum-tum” é esse? De repente seria mais apropriado um tic-tac, do relógio de nossas vidas que não param um só segundo. Nas aulas de português é a manutenção do hífen nos compostos de elementos repetidos. Na interminável construção do prédio ao lado é o bate-estacas que te acorda mais cedo do que deveria.
 
Na verdade tum-tum nada mais é do que um efeito sonoro. Mas este som é inesquecível. Jamais haverá samba enredo que consiga a simetria tão perfeita de intervalos e movimentos. Esse som foi ouvido em um exame recente, em uma sala escura, na tela de ínfima dimensões em comparação com os catálogos de anúncios de eletrônicos. Tum-tum, tum-tum, tum-tum.
 
O verdadeiro milagre é algo pequenino, de 50 milímetros, tem forma, cérebro, coluna vertebral. Tum-tum é o mais bonito som de um coração batendo. Meu bilhete foi premiado. SEREI PAI! ESTAMOS GRÁVIDOS!
 
Adolfo Assis

E eu serei tia! Mais uma vez tia coruja! Meu coração explode de alegria e amor come sta notícia!

Ele escreve bem não? Quem sabe ele não se anima e vem nos contar mais sobre o "Universo Paterno" ;-)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quebre este ciclo!

Meu pai foi um verdadeiro pai herói! Trabalhava muito, mas sempre (ou quase sempre) voltava para casa antes da nossa hora de dormir, os finais de semana eram dedicados à família, os passeios eram os mais diversos, quase tão grandes quanto sua imaginação. Ele nos fez fantasiar, criar, sonhar e saber que somos capazes de tudo. Pai amoroso e presente, sempre.

Devem estar se perguntando porque estou contando tudo isto. Meu pai teve uma infância, não só muito humilde, mas sofrida. Além da escassez de dinheiro e dias que passou apenas com um copo de leite, ele não recebeu carinho. Ele e os irmãos passavam o dia com uma tia avó, com certeza aprontavam suas traquinagens, recebiam castigos, palmatórias. Quando o pai retornava do trabalho escutava as reclamações da tia e isto gerava surras de graveto, cinto e o que estivesse ao alcance.

Aos 8 anos ele começou a trabalhar com a minha avó: ela era lavadeira e ele carregava as roupas para ela e ajudava nas entregas. Provavelmente ele achou que sua vida melhoraria, infelizmente os castigos físicos foram trocados por humilhações emocionais.  Gritos eram corriqueiros e ela não perdia oportunidade em tentar desacredita-lo, humilha-lo.

Poucas pessoas sabem disto. Hoje abro a história de uma pessoa tão importante na minha vida, tão maravilhosa, com um único objetivo. Mostrar que é possível quebrar o ciclo.

Não vou dizer que meu pai não tinha temperamento forte, que não teve que lutar ainda mais por seus objetivos e até brigar com a tendência a depressão. Ele teve sim momentos em que seu passado o influenciou negativamente. Recebi um cascudo do meu pai, uma única vez. Tenho certeza que doeu mais nele do que em mim. Depois deste cascudo recebi  apenas “sermões”, longas conversas, estas sim me marcaram, mas também me ensinaram muito.

Quando minha avó faleceu o enterro teve pouquíssimas pessoas presentes. Meu pai, em um momento em que estava apenas com minha mãe (eu estava presente, mas afastada) chorou muito, chamando por sua mãezinha. Ele cuidou sempre muito bem de sua mãe, mas aquele choro não parecia um choro só de saudades, mas um choro pela mãe que ele desejou um dia ter.

A mensagem que quero deixar é que não importa o passado, podemos crescer, melhorar. Não importa se recebeu palmada e está bem, se sua mãe gritava e você superou, é possível fazer melhor. Em casos como o do meu pai, até dar o carinho que nunca recebeu. O cliclo de violência pode e deve ser quebrado. É possível, eu vi!

Para quem ainda não leu, publiquei aqui um texto em homenagem ao meu pai

Para ler mais textos criados para #blogagemcoletiva visite o Blog da Ti

Para mais informações sobre o assunto indico o site da rede Não Bata. Eduque.