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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Equilíbrio?

A pressão e busca pelo equilíbrio em minha opinião é equivocada. Ele não  é necessário a todo momento. Cuidar da alimentação, se exercitar, educar bem os filhos, ter tempo para família, amigos, marido, filhos novamente. Estudar e crescer profissionalmente. Dormir bem. Ter romance entre o casal. Cuidar da casa. Saber o que ocorre no mundo. Sem contar tentar  torna-lo melhor... sinto muito! Você não conseguirá realizar tudo.

Tente dividir suas 24hs ou 168hs da semana nisto tudo. Impossível! Caso faça tudo, aposto que em algum dia você terá esquecido uma refeição ou até mesmo o banho, dormido um pouco menos, rendido menos no trabalho por estar exausta, ter tido menos paciência com as crianças ou os que o cercam.

É  importante fazer escolhas. Decidir o que mais importa naquele momento. Toda escolha envolve um ganho e uma perda. Nem sempre é fácil lidar com isto.

Passei o primeiro ano da vida do meu filho bem afastada do trabalho. Sempre amei o que faço, mas naquele momento o importante era o meu filho. A perda? Ganhei bem menos dinheiro e com isto precisei economizar, me privar de alguns prazeres da vida.


Chegou num ponto que não conseguia mais conciliar meio período de trabalho e meio de filho, ou melhor, metade do período normalmente dedicado ao trabalho com filho presente. Precisava me dedicar mais ao lado profissional. E lá foi ele passar mais horas na escola. As mamães que trabalham fora irão vibrar agora. Eu passava as manhãs tentando dar atenção e trabalhar, mas não fazia nem um nem outro direito. Agora ele passa sete horas na escola. Ele fica mais feliz pois brinca muito, interage. Eu fico menos estressada pois quando estou com ele me dedico integralmente, assim como quando estou trabalhando a atenção é somente para os projetos e clientes. Claro que fico com saudade, mas estamos mais felizes e aproveitando muito mais nossos momentos.

Alguns dias o foco é trabalho, outros momentos com o marido (que a esta altura já aprendeu ser impossível estar cheirosa e cheia de amor para dar sempre ;-)), em outros o filhão, em outros eu mesma. Exercícios? Ainda não voltei para esta escolha.

Acredito que a chave da felicidade não é exatamente o equilíbrio, mas aceitar que não podemos fazer tudo, ser super em tudo. Fazer o melhor de si, sem pressão. Fazer as escolhas certas para nós mesmas. Independente dos julgamentos e olhares de amigos, familiares e sociedade.  Escolhas certas, isto sim é importante e nos leva à felicidade.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Minha Vila


Imagem do Site VisitKorea

Durante a gravidez li um livro sobre parto normal que mostrava em determinado momento a diferença do apoio da comunidade à mulher grávida e em resguardo hoje e no passado. Quando ainda se moravam em vilas, pequenas comunidades, a nova mamãe recebia o apoio das mulheres da vila, seja com o bebê ou com os cuidados da casa. Nunca mais esqueci isto. Tão diferente dos tempos modernos no qual mal encontramos tempo para estar com amigos e familiares.

Depois de 40 semanas de gestação meu filho, meu presente, chegou. De repente estava em casa com aquele pacotinho lindo, um sonho realizado...mas e agora? Na primeira noite em casa, talvez por reação de uma vacina, ninguém dormiu. Ele chorava constantemente e eu e meu marido nos entreolhavamos desesperados por não entender o que acontecia. Com 15 dias começaram as cólicas... eu vivia cansada, sem dormir. Em algumas crises eu chorava junto com ele. Mesmo restringindo minha alimentação, tentando diversos métodos, as crises eram fortes e constantes. Conclusão, não conseguia quase passear com ele e me sentia isolada.

Neste período eu acabei conseguindo, de forma virtual, construir a minha vila. Uma comunidade recente no orkut, formada na maioria por mães de primeira viagem. Lá recebia carinho, apoio. Vi mães com dificuldades ainda maiores que a minha, outras não... mas todas passando por uma transformação enorme em suas vidas. De repente não era a única cansada, a única a me questionar se teria mesmo nascido para ser mãe, a única por chorar quando o filho sofria de dor (mesmo sabendo não ser nada grave), a única com mil questionamentos sobre cuidados com o bebê e mais, a perceber como tudo era diferente na prática.

Mamães mais experientes de diversas comunidades e blogs me enviavam dicas, me ofereciam um ombro amigo, arrumavam um tempinho via skype ou msn para simplesmente me escutar. Formei amigas com as quais troquei informações e abobrinhas. Com elas chorei e ri. No curto período entre filho, trabalho e sono era lá que mantinha alguma vida social.

Hoje continuo conhecendo mães pelo mundo virtual e com cada uma aprendo cada vez mais. A vocês mamães, minhas amigas, a minha grande vila, deixo a minha gratidão, o meu muito obrigado!

Anamaria Mendes




terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vou errar

Vou errar por excesso de cuidado
Vou errar por querer sua evolução
Vou errar por cansaço
Vou errar por querer seu bem
Vou errar querendo acertar
Vou errar por muito te amar!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Universo Materno

O Universo Materno parece um mundo paralelo. Um planeta do qual só entende quem o vivencia. Os papais? Hoje os mais participativos colocam um dedinho neste mundo mas não acredito que podem entendê-lo plenamente.

Algumas mulheres já entram neste universo durante a gravidez. Algumas acreditam que começa no momento que os hormônios e as emoções começam a pedir pela vinda de um bebê. Sinceramente, estas estão na fila para pegar o foguete mas assim como uma criança no primeiro dia de aula, não tem idéia do que as aguardam.

As grávidas já começam a experimentar algumas mudanças. A grande maioria irá respeitar os “sacrifícios” exigidos para uma gravidez saudável: as restrições alimentares, os exercícios específicos, o preparo dos seios (apenas sol!). Além disso vem os sintomas não esperados e muito menos desejados: enjôos, sono, perda de energia, o sobe e desce de humor, os medos e inseguranças. O amor cresce a cada instante.

A prioridade agora é o bebê. Roupas, com exceções das que compramos para não ficarmos barrigudas peladas,são para ele. Ele fica sempre na frente. Seu sonho de consumo agora pode até ser um carro. Um que tenha bons amortecedores, seja fácil guiar, que possua cinto de 5 pontas, recline, seja travel system, tenha trava nas rodas, feche com uma mão, seja retrátil... sim! Estou falando de carrinhos de bebê.

Depois de meses de espera o foguete chega neste universo paralelo. A aterrissagem não é nada suave. Vem acompanhada de um grande esplendor, emoções indescritíveis e um grande solavanco. A primeira mamada pode ser mágica ou bem trabalhosa. Mesmo para as mais sortudas isto não significa um mar de rosas. As mamadas tiram toda a energia, quando o leite desce seus seios podem chegar no pescoço. Começam os cuidados para não empedrar. Dormir? Ah! Isto merece um parágrafo único.

Mãe não dorme. Cochila! Sim, no início as mamadas são irregulares. Precisa trocar fraldas, colocar para arrotar...Além deste básico, você não tem a menor experiência e acorda a cada suspiro. Também acorda se fica um tempo sem escutar suspiros, porque na nossa louca cabecinha ele pode parar de respirar do nada. As mais experientes costumam dizer “Depois que vira mãe nunca mais dorme”. Será?! Eu ainda tenho esperanças.

Além de tudo vem o sobe e desce de hormônios, as emoções e mais...a responsabilidade. Este ser em seus braços depende completamente de você...depende para sobreviver, para viver, para aprender, crescer e evoluir.

O que antes era um sonho agora é real. Hoje vivo neste universo semelhante a uma montanha-russa, cheio de emoções mas mágico como um parque de diversões.