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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Estudar Vale a Pena!


Quando recebi o convite para participar da #blogagemcoletiva da campanha #estudarvaleapena concordei sem piscar. Uma das ideias é compartilhar casos que comprovem que estudar vale a pena. Quando penso em estudos penso logo nos meus pais.


Minha mãe foi sempre excelente aluna, mas batalhou muito pelos estudos. Meu avô ficou doente e a família se mudou de Minas para o Rio, minha avó precisou encarar dois empregos para sustentar a família. Minha mãe ficou responsável pela casa e por meu avô na ausência da minha avó. Mesmo com todos os percalços não só concluiu o atual ensino médio, como concluiu faculdade de odontologia. Ele narrava o apoio de alguns professores e seu esforço para continuar estudando.

Já meu pai, poderia ser um exemplo antagônico. Fez apenas até a 4ª série primária (terceira do atual fundamental), começou a trabalhar com apenas 8 anos, saiu de casa aos 16 e mesmo assim foi um empreendedor bem sucedido. Por que falar dele como exemplo? Meu pai falava que sua vida foi transformada quando casou com minha mãe. Ele tinha perspicácia, inteligência e toda capacidade do mundo, mas foi enganado inúmeras vezes ou agiu de forma extremamente imprudente com dinheiro. Quando casou é como se minha mãe tivesse dado a direção que ele precisava. Eu escutei algumas vezes ele pedindo para minha mãe revisar um texto, ajudar em decisões importantes e ensina-lo mesmo. Ela, de certa forma, foi mais tarde a professora e também o apoio familiar que ele tanto precisava.

Diferente do meu pai, sempre tive acesso a boas escola e cursos. Nem sempre a questão financeira era um mar de rosas em casa. Vivemos bem, mas sem regalias: sem roupas de marca, sem muitos jantares fora de casa, sem viagens constantes. No entanto, mesmo nos momentos de dificuldades, algo era sempre prioridade, a nossa educação.

Meu pai sempre sonhava onde ele teria chegado caso não tivesse abandonado os estudos. Eu acredito que muito longe. Hoje sou muito grata por todas as oportunidades que o estudo me proporcionou e mais, pelas opções que me ofereceu. Estudar me deu o luxo de escolher a minha profissão num país onde a grande maioria sobrevive. O estudo me proporcionou a minha casa própria, a formação da minha família e muitas experiências maravilhosas.

Eu apoio a campanha #estudarvaleapena e agradeço ao Instituto Unibanco e seus voluntários pelo empenho em diminuir a evasão escolar. Educação pode transformar o futuro do nosso país!

Obs: se digitarem “falta de mão de obra qualificada no Brasil” no Google encontrarão inúmeras notícias de como este já é um problema real em nosso país. Aqui tem uma notícia de 2008 (o problema não começou agora) citando uma pesquisa que a falta de mão de obra qualificada é uma das principais causas para multinacionais não investirem no Brasil. Vamos ajudar  a mudar isto?


terça-feira, 19 de julho de 2011

CONAR- Não teria sido melhor criar soluções?

Mesmo com tempo escasso precisava participar da Blogagem Coletiva do Projeto Crianças e Consumo sobre a resposta do Conar. Caso queiram saber mais leiam aqui!

Acredito que o Conar não tenha ofendido apenas ao Instituto Alana, mas a nós pais e mães dedicados e preocupados em relação ao futuro de nossos filhos. O tom do parecer é absurdo ao chamar o Instituto de Bruxa, ao desdenhar da alimentação saudável, ilusório dizendo que o fast food americano produziu grandes atletas e profissionais e ofensivo ao falar que criança é feita para azucrinar. (O parecer completo do Conar está aqui)

Meu filho come e comerá saudável sim senhor. Eu o educo com a maior paciência e tive sim problemas com o anúncio veiculado durante o filme Rio, assim como muitos outros que passam na televisão. Quando ele beirava os 3 anos ele assistiu a um anúncio que mostrava um brinquedo voando, não era de controle remoto nem capaz de realmente voar. O maior problema não foi deixar de comprar o produto, mas fazê-lo entender que o brinquedo não voava. Por um grande período evitei a televisão pois notava que uma criança tão nova era incapaz de distinguir anúncios de programas infantis.

O CONAR se defende falando sobre censura, sobre o direito de expressão. O McDonald´s escapou de ter seu McLancheFeliz banido de BH devido ao “livre comércio”, mas gostaria de saber quem irá garantir o direito de ligar a tv ou mais, de andar nas ruas sem ser bombardeado por anúncios que recorrem a criança diretamente? Quem irá explicar para meu filho que, ao contrário do que tudo ao redor diz, ele não irá virar super herói se consumir determinado produto? (só um exempo ok?) Sim, a nós pais cabe o não, a conversa, o diálogo. Este é o nosso dia-a-dia. E à sociedade nada cabe? As crianças não são o futuro? O nosso futuro?

Uma vez uma psicóloga disse que proibia o filho adolescente de ter a tv no quarto, que determinava horário para ver tv, usar celular, a internet, escolhia os filmes que o filho assistia. Quando questionada por uma amiga se não seria melhor o diálogo, o explicar e deixa-lo escolher, a resposta foi um sonoro não. O motivo maior não era a capacidade de compreensão do seu filho, nem o quanto os pais poderiam dialogar. O motivo era simples “a pressão externa é tão grande que nesta idade ele não conseguiria entender”. Um adolescente não entende e esperam que uma criança tenha maturidade para entender!

Fui criada por um pai empreendedor, que trabalhou muitos anos em diversas áreas ligadas a publicidade. Quando criança, quando eu criticava alguma propaganda ele logo desafiava:” faz melhor!” E lá ia eu, ainda criança, desenhar, modificar, criar!

Talvez fosse melhor o CONAR,  tantos profissionais de publicidade, tantos criativos, e empresas que acreditam depender destas propagandas encararem este pedido de mudança (vindo do Instituto e de tantos consumidores)  como um desafio! Que tal mudar, criar diálogo, criar um novo caminho ao invés de apenas ficar na defensiva (e ofender)? O Alex @Bogusky é um excelente exemplo!

Enquanto isto não acontece minha decisão é evitar a televisão e dizer não aos produtos que não souberem respeitar o direito do meu filho que #aos4, certamente nem ouvindo tantos nãos ou nossas explicações está preparado para lidar com isto.


Indico ler também:
Censura, não. Direitos.
Conar demonstra sua falta de responsabilidade para lidar com a ética em parecer sobre denúncia feita pelo Instituto Alana